Call for Papers (2021/1)

 

 

Cena de uma procissão conduzida por um bispo.

Breviário, França, c. 1511. Ms. Pierpont Morgan Library. M.8, fol. 297r.
 

Igreja e Sociedade na Idade Média

Organizadores:
Bruno Gonçalves Alvaro (UFS)

Leandro Duarte Rust (UnB)

As sínteses históricas guardam uma importância intrigante. Há um quê de dilema intelectual ao seu redor. Por um lado, elas seguem à margem do modelo de investigações especializadas, como se a busca por dominar evidências e registros exigisse o triunfo da compartimentação sobre a ideia de um todo histórico. A opção por uma síntese parece ser uma remada contra a correnteza. No mínimo, parece ser remar em direção às margens do caudaloso rio das credenciais e tendências acadêmicas, tendo em vista o quanto é comum encará-la como realização limítrofe, fronteiriça, típica das bordas historiográficas: obras introdutórias, manuais escolares, “divulgação científica” – segundo um velho estereótipo. Por outro lado, sínteses históricas parecem arrebatar e mobilizar leitores como há muito não se via. O recente sucesso alcançado por obras como Sapiens: uma breve história da Humanidade, de Yuval Harari, e O Coração do Mundo: uma nova história universal a partir da rota da seda: o encontro do Oriente com o Ocidente, de Peter Frankopan – dois historiadores acadêmicos – parece estourar os diques criados pelo ideal de especialização, fazendo jorrar a busca pelo sentido totalizador como competência socialmente valorizada. As sínteses históricas são um novo velho mundo a ser desbravado. 


Consideramos que a melhor maneira para enfrentar esse dilema (ou desconstruí-lo) é transformá-lo em desafio coletivo. Como as sínteses históricas se apresentam como uma questão atual a respeito da escrita sobre o passado – mais que a identidade de certo autor ou daquele círculo intelectual –, é preciso ponderar sobre elas através de publicações em conjunto, seja em livros ou revistas. Eis a iniciativa que move esta chamada de artigos e resenhas para um dossiê temático intitulado “Igreja e Sociedade na Idade Média”. Nada neste título é uma conceituação ingênua. Igreja contém Igrejas, com os discursos sobre a unidade institucional frequentemente tensionando a pluralidade de cotidianos religiosos, como demonstraram Cinzio Violante, John Howe, Steven Vanderputten. “Sociedade” é conceito ainda mais escorregadio, uma vez que, aplicado como referencial convencional, pode não passar de uma abstração sociológica a ocultar contradições, dinâmicas, rupturas e a própria concretude da realidade local, como revela a leitura de Susan Reynolds, Chris Wickham, Francisco García Fitz. E o que dizer sobre “Idade Média”? Uma expressão que empresta forma não a uma, mas a numerosas periodizações, muitas delas protagonistas de uma concorrência tão acirrada pela ideia de passado ao ponto de converter os extremos nas opções mais atraentes: tanto a imagem da “Longa Idade Média” de 1.500 anos quanto a certeza de que “Idade Média é uma convenção que nunca existiu” contam com um vasto universo de adeptos. 


Esses riscos, estampados já no título desta proposta, são precisamente os dilemas que rondam a elaboração de sínteses históricas: o local versus o geral, a dinâmica versus a estática, a pluralidade versus a unicidade, a linguagem versus a evidência. A formulação da proposta é, portanto, provocação intencional; uma iniciativa para que reflitamos sobre a articulação dessas noções. É a proposição explícita de um convite para responder a esta indagação: tais tensões são, de fato, dilemas? Quando nos colocamos a pensar assim, com conceitos tão abrangentes quanto “Igreja” e “Sociedade”, que “Idade Média” é apresentada a leitores e espectadores? E sobretudo: qual o valor científico dessa abordagem? Esse é o cerne da proposta que trazemos a público como organizadores deste número da Roda da Fortuna. 

Os prazos para o envio de artigos, resenhas, entrevistas e traduções são:
 
- envio de trabalhos: até 21 de maio de 2021
- aceite dos trabalhos: junho de 2021
- publicação do dossiê: julho de 2021

As propostas devem ser enviadas para o e-mail: revistarodadafortuna@gmail.com

 

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Church and Society in the Middle Ages


Organizers:
Bruno Gonçalves Alvaro
(UFS)
Leandro Duarte Rust (UnB)

Historical syntheses have a intriguing importance. Something similar to an intellectual dilemma involves them. On the one hand, they remain on the margins of the current model for specialized investigations, as if the effort for dominating evidence and records about the past required the triumph of compartmentalization over the idea of a historical totality. The option for a synthesis seems to be a row against the flow. At the very least, it seems to be paddling towards the margins of the sweeping river of academic credentials and trends, considering how common it is to see it as a publication that takes place at the edges of historiography, a borderline achievement, something typical of the historiographic borders: introductory works, school manuals, “scientific propagation” - according to an old stereotype. On the other hand, historical syntheses seem to capture and mobilize readers as it has not been for a long time. The recent success achieved by works like Sapiens: a brief history of Humankind, by Yuval Harari, and The Silk Roads: A New History of the World, by Peter Frankopan, two academic historians, seems to burst the floodgates created by the ideal of specialization, freeing the passage for the search for the totalization of history as a socially valued competence. Historical syntheses are a new old world to be explored.
 

We believe that the best way to face this dilemma (or deconstruct it) is to turn it into a collective challenge. As historical syntheses are presented as a current issue regarding historical writing - more than the identity of a certain author or that intellectual circle -, it is necessary to consider them through joint publications, whether in books or scientific journals. This is the initiative that moves this call for papers and reviews for a thematic dossier entitled "Church and Society in the Middle Ages". Nothing in this title is a naive conceptualization. “The Church” contains “churches”, since the discourses about institutional unity often distend the plurality of religious daily life, as demonstrated by authors like Cinzio Violante, John Howe, Steven Vanderputten. “Society” is an even more slippery concept, after all, when applied as a conventional reference, it may be nothing more than a sociological abstraction to hide contradictions, dynamics, ruptures, and the very concreteness of local reality, as revealed by Susan Reynolds, Chris Wickham, Francisco García Fitz and so many others. And what about "Middle Ages"? An expression that fixes the shape not of one, but of numerous choices about periodization, many of them protagonists of a competition so fierce for the idea of the past that the most extreme options often appear as the most attractive: both the 1,500-year-old “Long Middle Ages” and the “Middle Ages is a convention that never existed” count on a vast universe of supporters.


These risks, already stamped in the title of this proposal, are precisely the dilemmas that surround the elaboration of historical syntheses: the local versus the general, the dynamic versus the static, the plurality versus the uniqueness, the language versus the evidence. The formulation of this proposal is, therefore, an intentional provocation. An initiative to think systematically about the articulation of these notions. It is the explicit proposition of an invitation to answer this question: are these tensions, in fact, dilemmas? When we start thinking like this, with concepts as wide as "Church" and "Society", what "Middle Ages" is presented to readers and viewers? And above all: what is the scientific value of this approach? This is the heart of the proposal that we bring to the public as the organizers of this issue of the Roda Fortuna.

 

The deadlines for submitting papers, reviews, interviews, and translations are:
 
- Submission: until May 21, 2021
- Accept: June 2021
- Publication: July 2021

Proposals should be sent to: revistarodadafortuna@gmail.com


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Iglesia y Sociedad en la Edad Media

 

Organizadores:
Bruno Gonçalves Alvaro (UFS)
Leandro Duarte Rust (UnB)

 

Las síntesis históricas tienen una importancia intrigante. Hay un elemento de dilema intelectual a tu alrededor. Por un lado, quedan fuera del modelo de las investigaciones especializadas, como si la búsqueda de evidencias y registros dominantes requiriera el triunfo de la compartimentación sobre la idea de un todo histórico. La opción por una síntesis parece estar en contracorriente. Como mínimo, parece estar remando hacia los márgenes del río arrollador de las credenciales y tendencias académicas, en vista de lo común que es verlo como un logro límite, límite, propio de las fronteras historiográficas: trabajos introductorios, manuales escolares, “divulgación científica” – según un antiguo estereotipo. Por otro lado, las síntesis históricas parecen captar y movilizar a los lectores como no se veía en mucho tiempo. El éxito reciente alcanzado por obras como Sapiens. De animales a dioses: Una breve historia de la humanidad, de Yuval Harari, y El corazón del mundo: Una nueva historia universal, de Peter Frankopan – dos historiadores Académicos – los diques creados por el ideal de especialización parecen estallar, haciendo fluir la búsqueda del significado totalizador como competencia socialmente valorada. Las síntesis históricas son un viejo mundo nuevo por explorar.


Creemos que la mejor forma de afrontar este dilema (o deconstruirlo) es convertirlo en un desafío colectivo. Dado que las síntesis históricas se presentan como un tema de actualidad sobre la escritura sobre el pasado – más que la identidad de un determinado autor o ese círculo intelectual –, es necesario considerarlas a través de publicaciones conjuntas, ya sea en libros o revistas. Esta es la iniciativa que traslada esta convocatoria de artículos y reseñas a un dossier temático titulado “Iglesia y sociedad en la Edad Media”. Nada en este título es un concepto ingenuo. Iglesia contiene iglesias, con discursos sobre la unidad institucional que a menudo ponen en tensión la pluralidad de la vida diaria religiosa, como lo demuestran Cinzio Violante, John Howe, Steven Vanderputten. La “Sociedad” es un concepto aún más escurridizo, ya que, aplicado como referencia convencional, puede que no sea más que una abstracción sociológica para ocultar contradicciones, dinámicas, rupturas y la propia concreción de la realidad local, como lo revela la lectura de Susan Reynolds, Chris Wickham, Francisco García Fitz. ¿Y qué pasa con la “Edad Media”? Una expresión que da forma no a una, sino a numerosas periodizaciones, muchas de ellas protagonistas de una competencia tan encarnizada por la idea del pasado como para convertir los extremos en las opciones más atractivas: tanto la imagen de la “Larga Edad Media” de 1.500 años como la certeza de que “la Edad Media es una convención que nunca existió” tiene un vasto universo de fans.
 

Estos riesgos, ya estampados en el título de esta propuesta, son precisamente los dilemas que rodean la elaboración de síntesis históricas: lo local versus lo general, lo dinámico versus lo estático, la pluralidad versus la unicidad, el lenguaje versus la evidencia. La formulación de la propuesta es, por tanto, una provocación intencionada; una iniciativa para reflexionar sobre la articulación de estas nociones. Es la proposición explícita de una invitación a responder a esta pregunta: ¿son estas tensiones, de hecho, dilemas? Cuando empezamos a pensar así, con conceptos tan amplios como “Iglesia” y “Sociedad”, ¿qué “Edad Media” se presenta a lectores y espectadores? Y, sobre todo: ¿cuál es el valor científico de este enfoque? Este es el corazón de la propuesta que traemos al público como organizadores de este número de la Rueda de la Fortuna.

Los plazos para el envío de artículos, reseñas, entrevistas y traducciones son:

-Envío de trabajos: hasta el 21 de mayo de 2021
-Trabajos aceptados: junio 2021
-Publicación del Dossier: julio 2021

 

Las propuestas deben enviarse al correo electrónico: revistarodadafortuna@gmail.com

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