Call for Papers (2020/2)

(Português - Inglês - Espanhol - Italiano)

Ocidente e Oriente em desconstrução

Organizadores:
Uiran Gebara da Silva (UFRPE)

Fábio Frizzo (UFTM)

Ao longo dos séculos XIX e XX os estudos sobre a Antiguidade foram naturalizando a oposição entre Ocidente e Oriente como parte constituinte daquele passado que buscavam compreender. Essa dualidade geográfica foi convertida em uma dicotomia sociocultural como parte estruturante das várias disciplinas que tinham as sociedades e as culturas da Antiguidade como objeto (História Antiga, Grego e Latim, Arqueologia Clássica, Egiptologia, Assiriologia etc.). Sem desconsiderar a necessidade de uma especialização crescente do trabalho, relacionada a contextos documentais e linguísticos distintos, é possível notar o peso de uma tradição marcada por práticas e discursos que construíram uma oposição (e uma hierarquização) entre culturas orientais e ocidentais no mundo antigo. As mesmas práticas e discursos fundamentaram uma visão histórica do progresso, que embasou e embasa a superioridade geopolítica dos imperialismos do século XIX e XX.

 

A denúncia do Orientalismo feita por Edward Said e o pós-colonialismo em geral abriram o caminho para inúmeras intervenções com impacto duradouro sobre os estudiosos da Antiguidade. Citamos aqui dois autores que permanecem gerando debates e polêmicas tanto no campo acadêmico quanto na realidade mais ampla: Cheikh Anta Diop e Martin Bernal. Ambos foram fundamentais para a consolidação da crítica da separação entre as “essências” ocidental e oriental ao contestarem a narrativa tradicional no “milagre grego” e demonstrarem não apenas as raízes “orientais” do “ocidente”, mas também o racismo que marcava tal diferenciação.

 

Nas últimas décadas o quadro geral mudou bastante e pode-se dizer que atualmente a dicotomia aparece cada vez mais recorrentemente como uma questão, como um problema de investigação. Esse movimento intelectual desarticulou a preeminência daquelas visões que entendiam a Antiguidade como uma teodiceia da razão ocidental, que reservava às sociedades orientais um papel restrito à dualidade entre o papel de origem da assim chamada “Civilização” e aquele de espelho negativo da alteridade do ocidente. Se as raízes da nossa história estavam no “oriente”, foram as modalidades cívicas gregas que nos libertaram do despotismo oriental e do misticismo das religiões teocráticas.

 

O impulso da desconstrução a partir do pensamento pós-colonial se enraizou e se institucionalizou. Ainda assim, da mesma forma que as forças políticas e econômicas do imperialismo ocidental ainda se reproduzem no século XXI, as forças que reproduzem a ideologia da oposição Ocidente/Oriente para a Antiguidade ainda atuam. Dessa forma, as fronteiras disciplinares se mantêm rígidas e muitas vezes as hierarquias e os essencialismos dos discursos retornam sob novas formas.

 

Somaram esforços à crítica deste imperialismo ocidental os trabalhos orientados pelas perspectivas decoloniais, que apontaram o papel essencial da narrativa histórica do “ocidente” na constituição da modernidade e da colonialidade em diferentes âmbitos. Destaca-se a ideia de uma colonialidade do saber, que aponta para a manutenção, mesmo após os processos de libertação afro-asiáticas do século XX, da centralidade de uma epistemologia eurocêntrica e totalmente conectada à reprodução das relações econômicas e hierarquias de poder ao redor do planeta. Neste sentido, muitos trabalhos apontaram para a valorização das visões de mundo não-ocidentais como modelos para auxiliar na compreensão das sociedades pré-modernas.

 

A centralidade da narrativa da civilização ocidental e seus “valores” têm crescido em conjunto com as perspectivas críticas vindas do campo acadêmico. É cada vez maior o número de intelectuais que tem se posicionado publicamente a favor da desconstrução das concepções mais tradicionais acerca da História Antiga, buscando construir um quadro mais diverso acerca da Antiguidade e questionando suas fronteiras temporais e geográficas. Posicionamentos refratários ao elitismo das disciplinas que estudam os mundos antigos têm sido cada vez mais frequentes e os debates – especialmente o racial – têm atravessado tanto o conhecimento como a área profissional que o constrói. Logo, a superação da dicotomia Ocidente/Oriente é uma pedra fundamental na estrada que pavimenta o papel social dos estudos da Antiguidade nas lutas da sociedade atual.

 

É neste espírito que a proposta deste dossiê é para artigos que partam da problematização de tal dicotomia, estando aberto para as mais diversas investigações que tratem naturalmente de objetos mais delimitados e recortes restritos, seja nas formações sociais “ocidentais”, seja nas formações sociais “orientais”, desse complexo de sociedades no grande encontro da Afroeurasia.

 

Propostas de temas associados à perspectiva:

 

1. Críticas historiográficas.

2. Reflexões teóricas relacionadas à perspectivas pós-coloniais, decoloniais ou similares.

3. Conectividade e Sistemas na Antiguidade.

4. Aculturação, hibridização, emaranhamento, apropriações e resistências culturais.

5. O uso de perspectivas pós-coloniais ou decoloniais no estudo das sociedades antigas.

6. Alteridade: representações do outro entre oriente e ocidente.

7. Viajantes e a transgressão de fronteiras na Antiguidade.

8. Impérios, cidades e história política para além da dicotomia.

Os prazos para o envio de artigos, resenhas, entrevistas e traduções são:

 

- envio de trabalhos: até 15/12/2020.

- aceite dos trabalhos: fevereiro de 2021.

- publicação do dossiê: março de 2021.

As propostas devem ser enviadas para o e-mail: revistarodadafortuna@gmail.com

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Deconstructing West and East

Organizers:
Uiran Gebara da Silva (UFRPE)

Fábio Frizzo (UFTM)

In the 19th and 20th centuries, the studies on Antiquity naturalized the opposition between East and West as a constitutive part of the past they investigated. That geographical duality was converted into a sociocultural dichotomy as a structuring part of the several disciplines that had as their objects of investigation ancient societies and cultures (Ancient History, Classical Studies, Egyptology, Assyriology, Archaeology, etc.). While taking into consideration the needs of a growing labor specialization related to particular source and linguistic contexts, one should remark the power of this intellectual tradition defined by practices and discourses that produced opposition and hierarchy between eastern and western cultures of the Ancient World. The same practices and discourses founded their historical worldview in the idea of progress, which became the basis for the geopolitical superiority of the 19th and 20th centuries western imperialisms.

 

However, Edward Said’s critique of Orientalism and wider post-colonial ideas had enduring effects on the Ancient Studies. We mention here two additional scholars whose work still generate discussions and arguments in the academy: Cheikh Anta Diop and Martin Bernal. Both were fundamental to consolidate the enduring criticisms against the essentialization of “West” and “East” by contesting the traditional narrative of a “Greek Miracle” and by demonstrating not only the “eastern” roots of the “West”, but also the racism on which such differentiation was founded.

 

In the last decades, the general framework has changed a lot and one could say that more and more the dichotomy is nowadays invocated as a question, as a problem of investigation. This movement disrupted the ascendancy of views that understood Antiquity as the theodicy of Western Reason, which kept the eastern societies in a restricted role in the dichotomy as a pristine origin for the so-called “Civilization” and as a negative mirror for West alterity. If the roots of our history had been “eastern”, the Greek civic modalities have freed us form oriental despotism and from theocratic mysticism.

 

The impulse towards deconstruction have created roots and have been institutionalized. Yet, in the same way political and economic structures of western imperialism still reproduce themselves in the 21st century, the social relations that project the ideology based on the East/West opposition over Antiquity are still in effect. Thus, the disciplinary boundaries are still strong and time and again the discourse hierarchies and essentialisms return under new guises.

 

Now, the critique of Western Imperialism in scholarship has been strengthened by the research guided by decolonial perspectives, which highlight the key role played by the historic narrative of the “West” for the constitution of Modernity and Coloniality in several areas. Here, the idea of Coloniality of Knowledge draws attention to the permanence of the centrality of Eurocentric epistemology in the scholarship, even after the Afro-asiatic processes of colonial liberation in the 20th century. This permanence is connected to the reproduction of unequal economic relations and power hierarchies across the globe. In this sense, several recent investigations are oriented towards the valorization of non-western worldviews as theoretical models for the understanding of pre-modern societies.

 

The centrality of the narrative of Western Civilization and its “values” have been reinforced in tandem with the critiques produced in the academic fields. But the number of scholars publicly taking sides in favor of the deconstruction of traditional views of Ancient History, striving to create a more diverse frame for Antiquity and to question its chronological and geographical boundaries. More and more researchers take a stand against the elitism previously present in the disciplines studying the Ancient World. Also, contemporary debates – racism particularly – have often been assimilated by the knowledge produced, as well as by the professional field producing it. More and more scholars are becoming aware that disabling the East/West dichotomy is a crucial milestone in the path towards a better understanding of Ancient studies’ social role in present day social conflicts.

 

In this way, this dossier calls for papers deriving from this problematization of that dichotomy. We are interested in papers expressing the diversity of investigations currently produced, dealing with more delimited objects and scopes, whether from the “western” or from the ‘eastern” social formations in the cluster of societies that made Antiquity a Afroeurasian meeting point.

 

Ideas of themes and proposals for papers:

 

1. Reviews and historiographical critiques.

2. Theoretical analyses inspired by post-colonial, decolonial and similar perspectives.

3. Connectivity and systems in Antiquity.

4. Acculturation, hybridization, entanglement, cultural appropriation and resistance in Antiquity.

5. Post-colonial and decolonial perspectives applied in the study of Ancient societies.

6. Alterity: representations of the other between East and West.

7. Voyagers, travellers and the transgression of boundaries in Antiquity.

8. Empires, cities and Political History beyond East/West dichotomy.

The deadlines for submitting papers, reviews, interviews and translations are:

 

- Submission: until December 15, 2020.

- Accept: February 2021.

- Publication: March 2021.

Proposals should be sent to: revistarodadafortuna@gmail.com

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Occidente y Oriente en desconstrucción

Organizadores:
Uiran Gebara da Silva (UFRPE)

Fábio Frizzo (UFTM)

Durante los siglos XIX y XX, los estudios sobre la Antigüedad fueron naturalizando la oposición entre Occidente y Oriente como parte constituyente de aquel pasado que intentaban comprender. Esta dualidad geográfica fue convertida en una dicotomía sociocultural en los componentes de las diferentes asignaturas que presentaban en su contenido las sociedades y las culturas de la Antigüedad como objeto (Historia Antigua, Griego y Latín, Arqueología Clásica, Egiptología, Asiriología, etc.). Sin considerar la necesidad de una especialización creciente del trabajo, relacionada con los distintos contextos documentales y lingüísticos, es posible observar el peso de una tradición marcada por prácticas y discursos que han construido una oposición (y una jerarquía) entre las culturas orientales y occidentales en el mundo antiguo. Las mismas prácticas y discursos han fundamentado una visión histórica del progreso, que ha fundamentado y fundamenta la superioridad geopolítica de los imperialismos de los siglos XIX y XX.

 

La reivindicación del Orientalismo por Edward Said y el poscolonialismo en general han abierto el camino a diversas intervenciones con impacto duradero en los estudiosos de la Antigüedad. Destacamos aquí dos autores que aún generan debates y polémicas tanto en el campo académico como en una realidad más amplia: Cheikh Anta Diop y Martin Bernal. Los dos fueron fundamentales en la consolidación de la crítica para la definición de las “esencias” occidental y oriental, en las discusiones de la narrativa tradicional sobre el “milagro griego”, y han demostrado no solamente las raíces “orientales” de “Occidente” sino también el racismo que destacaba tal distinción.

 

En las últimas décadas, el cuadro general ha cambiado considerablemente y se puede afirmar que, en la actualidad, la dicotomía se presenta recurrentemente como una cuestión, como un problema de investigación. Ese movimiento intelectual ha desarticulado la preeminencia de aquellas visiones que han comprendido la Antigüedad como una teodicea de la razón occidental, que reservaba a las sociedades orientales una función restringida a la dualidad entre los orígenes de la “Civilización” y el de espejo negativo de lo contrario a Occidente. Si las raíces de nuestra historia están en “Oriente”, fueron las modalidades cívicas griegas las que nos liberaron del despotismo oriental y del misticismo de las religiones teocráticas.

 

El impulso de la deconstrucción se enraizó y se institucionalizó a partir del pensamiento poscolonial. Aun así, de la misma forma que las fuerzas políticas y económicas del imperialismo occidental siguen reproduciéndose en el siglo XXI, la oposición entre Occidente/Oriente en el estudio de la Antigüedad aún continúa. De la misma forma, las fronteras disciplinares se mantienen rígidas y muchas veces las jerarquías y los esencialismos de los discursos regresan con nuevas formas.

 

Se han llevado a cabo esfuerzos en la crítica del imperialismo occidental en trabajos orientados a perspectivas descolonizadoras que han indicado la función esencial de la narrativa histórica de “occidente” en la constitución de la modernidad y de la colonización en diferentes ámbitos. Tiene relevancia la idea de una colonización del saber que señala la manutención, incluso después de los procesos de liberación afroasiáticas del siglo XX, de la centralidad de una epistemología eurocéntrica y totalmente vinculada a la reproducción de las relaciones económicas y de jerarquía de poder en el planeta. En este sentido, muchos trabajos se han dirigido a la valoración de las visiones del mundo no occidentales como modelos para ayudar en la comprensión de las sociedades premodernas.

 

El enfoque de la narrativa de la civilización occidental y sus “valores” han aumentado, en conjunto, las perspectivas críticas del campo académico. El número de intelectuales posicionados públicamente a favor de la deconstrucción de las concepciones más tradicionales sobre la Historia Antigua es cada vez mayor; de este modo, buscan constituir un cuadro diferente sobre la Antigüedad cuestionando sus fronteras temporales y geográficas. Los posicionamientos refractarios al elitismo de las asignaturas que estudian los mundos antiguos han sido cada vez más frecuentes y los debates –especialmente el racial– han atravesado tanto el conocimiento como el área profesional que lo ha construido. Por tanto, la superación de la dicotomía Occidente/Oriente es una piedra fundamental en el camino que solidifica el papel social de los estudios sobre la Antigüedad en las luchas de la sociedad actual.

 

Bajo el espíritu señalado, la propuesta de este monográfico es para artículos que establezcan un planteamiento sobre esta dicotomía, pero también está abierto a otras investigaciones distintas que presenten objetos más delimitados y restrictivos, tanto sobre las formaciones sociales “occidentales”, como sobre las formaciones sociales “orientales”, de este complejo de sociedades en el gran encuentro del ámbito afroeurasiático.

 

Propuestas de temas asociados al monográfico:

 

1. Críticas historiográficas

2. Reflexiones teóricas relacionadas con las perspectivas poscoloniales, descolonizadoras o similares.

3. Conectividad y sistemas en la Antigüedad.

4. Aculturación, hibridación, enredamiento, apropiaciones y resistencias culturales.

5. El uso de las perspectivas poscoloniales o descolonizadoras en el estudio de las sociedades antiguas.

6. Alteridades: representaciones “del otro” en Oriente y Occidente.

7. Viajeros y transgresiones de fronteras en la Antigüedad.

8. Imperios, ciudades e historia política: más allá de la dicotomía.

Los plazos para el envío de artículos, reseñas, entrevistas y traducciones son:

-Envío de trabajos: hasta el 15/12/2020

-Trabajos aceptados: febrero 2021

-Publicación del Dossier: marzo 2021

Las propuestas deben enviarse al correo electrónico: revistarodadafortuna@gmail.com

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Occidente i Oriente in decostruzione

Organizzatori:
Uiran Gebara da Silva (UFRPE)

Fábio Frizzo (UFTM)

Durante il XIX e XX secolo, gli studi sulla Antichità hanno naturalizzato l’oposizione fra Occidente e Oriente come un componente del passato che cercavano di capire. Questa dualità geografica è divenuta una dicotomia sociocuturale nei componenti delle diverse materie che presentavano nei loro contenuti le società e le culture antiche come oggetto di studio (Storia Antica, Greco e Latino, Archeologia Classica, Egittologia, Assiriologia, ecc.). Senza ritenere la necessità di una specializzazione dilagante del lavoro, conessa ai diversi contesti documentali e linguistici, è possibile di osservare l’importanza di una tradizione segnata da pratiche e discorsi che ganno costruito un’oposizione (e una gerarchia) fra le culture occidentali e occidentali nel mondo antico. Le stesse pratiche e discorsi hanno fundamentato una visione storica del progresso che ha fundamentato e fundamenta la superiorità geopolitica degli imperialismi del XIX e XX secolo.

 

La rivendicazione dell’Orientalismo da Edward Said e il poscolonialismo in generale hanno aperto la strada a diverse intervenzioni con impatto duraturo negli studiosi dell’Antichità. Spiccano due autori che ancora oggi generano dibattiti e polemiche così nell’ambito accademico come in un senso più ampio: Cheikh Anta Diop y Martin Bernal. Entrambi sono fondamentali nel consolidamento della critica per una definizione delle “essenze” occidentale e orientale, nelle discussioni della narrativa tradizionale sul “miracolo greco”, e hanno dimostrato no solo gi origini “orientali” di “Occidente” ma anche il razzismo que metteva in evidenza questo parere.

 

Negli ultimi deceni, il quadro generale ha cambiato notevolmnte ed è possibile affermare che, attualmente, la dicotomia si presenta ricorrentemente come una questione, come un problema di ricerca. Questo movimento intellettuale ha sgominato la preminenza di prospettive che comprendevono l’Antichità come una teodicea della ragione occidentale, che attribuivano alle società orientali una funzione ristretta alla duplicità fra gli origini della “Civiltà” e lo specchio negativo di quello contrario a Occidente. Se le radici della nostra storia si trovano in “Oriente”, furono le modalità civihe greche quelle che ci hanno liberato del dispotismo orientale e del misticismo delle religioni teocratiche.

 

Lo slancio della decostruzione divampa e si istituzionalizza a partire dal pensiero poscoloniale. Ciò nonostante, dello stesso modo che le forze politiche ed economiche dell’imperialismo occidentale continuano a riprodursi nel XXI secolo, l’oposizione fra Occidente/Oriente nello studio dell’Antichità ancora continua. Nella stessa maniera, i confini disciplinari rimangono immobili e tante volte le gerarchie e gli essenzialismi dei discorsi regresano con nuove forme.

 

Si hanno realizzato notevoli sforzi nella critica dell’imperialismo occidentale in studi orientati a prospettive decolonizzatrici che hanno indicato la funzione essenziale della narrativa storica di “Occidente” nella costituzione della modernità e della colonizzazione in diversi ambiti. Ha rilevanza l’idea di una colonizzazione del sapere che sottolinea la manutenzione, persino dopo i processi di liberazione afroasiatiche del XX secolo, della centralità di un’epistemologia eurocentrica e assolutamente collegata alla riproduzione dei rapporti economici e della gerarchia del potere nel pianeta. In questo senso, molti lavori sono stati rivolti alla valorizzazione delle visioni del mondo non occidentali come modelli per auitare nella comprensione delle società premoderne.

 

L’approccio della narrativa della civiltà occidentale e i suoi “valori” hanno aumentato, nel complesso, le prospettive critiche dell’ambito accademico. Il numero di intellettuali posizionati pubblicamente a favore della decostruzione delle concezioni più tradizionali sulla Storia Anticha è sempre più grande; questi studiosi cercano di stabilire un quadro di riferimento diverso sull’Antichità mettendo in discussione i suoi confini temporali e geografici. Le posizioni refrattarie all’elitarismo delle materie che studiano i mondo antichi sono stati ogni volta più frequenti e i dibattiti –sopratutto sulla razza–  hanno attraversato la conoscenza e l’ambito professionale che l’ha constuito. Pertanto, il superamento della dicotomia Occidente/Oriente è una pietra fondamentale nella strada che solidifica il ruolo sociale degli studi sull’Antichità nelle lotte della società attuale.

 

Con questo spirito, il presente monografico è indirizzato ad articoli che stabiliscono un approccio sulla predetta dicotomia, ma anche è aperto ad altre ricerche diverse su oggetti delimitati e restittivi, così sulle formazioni sociali “occidentali” come sule formazioni sociali “orientali”, di questo complesso di società nel grande incontro dell’ambito afroeuroasiatico.

 

Proposte di teme associate al monografico:

 

1. Critiche storiografiche.

2. Riflessioni teoriche riguardante i prospettive poscoloniali,  decolonizzatrici o analoghe.

3. Conettività e sisteme nell’Antichità.

4. Acculturazione, ibridazione, stanziamenti e resistenze culturali.

5. L’uso delle prospettive coloniali o decolonizzatrici nello studio delle società antiche.

6. Alterità: rappresentazioni dell’altro in Oriente e Occidente.

7. Viaggiatori e trasgressioni di confini nell’Antichità.

8. Imperi, città e storia politica oltre la dicotomia.

 

Le scadenze per l’invio di articoli, recensioni, intreviste e traduzioni sono:

 

- Invio di articoli: fino e non oltre il 15/12/2020.
- Termine di accettazione: febbraio 2021.
- Pubblicazione del monografico: marzo 2021.

 

Le proposte devono essere inviate via mail: revistarodadafortuna@gmail.com 

Referências

Bang, P. (2011). The Roman Bazaar. A Comparative Study of Trade and Markets in a Tributary Empire. Cambridge: Cambridge University Press.

 

Bernal, M. (1987). Black Athena: The Afroasiatic Roots of Classical Civilization. New Brunswick: Rutgers.

 

Guarinello, N. L. (2013). História Antiga. São Paulo.

 

Horden, P., e Nicholas. P. (2000). The Corrupting Sea. A study of Mediterranean History. Oxford: Blackwell.

 

Said, E. (2007). Orientalismo. São Paulo: Cia das Letras.

 

Wengrow, D. (2010). What Makes Civilization? The Ancient Near East and the Future of the West. Oxford: Oxford University Press.